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Mundinha Araújo: memória viva

 

Há nomes que não são apenas nomes. São fundamentos.

 

Falar de Mundinha Araújo é falar de uma mulher-território, dessas que sustentam caminhos inteiros sem precisar levantar a voz, porque a sua própria trajetória já ecoa. Antes de ser reconhecida como guardiã dos saberes no Zumbido, Mundinha já escrevia — com firmeza e clareza — as bases do que hoje entendemos como movimento negro no Maranhão.

 

Nascida em São Luís, em 1943, sua caminhada começa na educação, esse lugar onde ela transforma o ensino em prática de liberdade. Entre o giz e a escuta, vai abrindo frestas num tempo em que falar sobre a questão racial ainda era romper silêncios muito profundos. E foi justamente enfrentando esse silêncio que ela ajudou a construir algo maior.

 

No início, não eram multidões, nem grandes atos. Eram encontros. Reuniões pequenas, conversas, inquietações compartilhadas. Em um estado onde, como ela mesma registrou, mesmo com uma população majoritariamente negra, ainda se dizia que “não havia negros”, organizar-se era também reaprender a se nomear.

 

Foi nesse contexto que nasceu o Centro de Cultura Negra do Maranhão, em 1979. E Mundinha estava lá, não só como participante, mas como uma das que ajudaram a pensar o sentido dessa construção. Para ela, não bastava preservar a cultura — era preciso organizar politicamente o povo negro, criar consciência, produzir conhecimento, ocupar espaços.

 

Sua escrita, registrada em documentos como o histórico do CCN em 1984, não é apenas relato — é posicionamento. Ela denuncia o apagamento, questiona a falsa ideia de democracia racial e afirma a necessidade de estudo, articulação e ação coletiva como caminhos para transformar a realidade.

 

Ao mesmo tempo, Mundinha mergulha na memória. Vai aos arquivos, escuta histórias, reconstrói trajetórias. Faz da pesquisa uma ferramenta de luta, porque entende que um povo que não conhece sua história corre o risco de ser permanentemente negado.

 

Hoje, quando o Zumbido a chama de “Mudinha”, guardiã dos saberes, há algo de profundamente verdadeiro nisso. Porque ela não apenas preservou memórias — ela ajudou a construir as condições para que essas memórias existissem, circulassem e permanecessem vivas.

 

Mundinha é dessas presenças que não cabem só no passado. Ela atravessa gerações. Está nas palavras que ainda nos orientam, nas lutas que continuam, nas perguntas que insistem em existir.

 

Celebrá-la é também reconhecer todas as mulheres negras que sustentam o mundo com seus passos firmes, mesmo quando quase ninguém está olhando.

 

E é por isso que abrir uma nova série do Zumbido com Mundinha não é apenas uma homenagem.
É um gesto de continuidade.

Porque enquanto houver memória, haverá caminho.
E enquanto houver quem escreva, nenhuma história será silenciada.

 

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